maio 30, 2006

Fragmento de uma noite

Show me, Show me, Show me, How You do that trick...
東京

maio 28, 2006

Marionetas

«A marioneta e a máscara não são senão dois aspectos duma fuga a si próprio, tornando-se assim parentes próximos.»


Exposição O Maravilhoso Mundo das Marionetas, Olivais Shopping (Lisboa)

maio 27, 2006

Costa da Caparica





(fotos Berenice)

Momentos Perfeitos


O final de um dia
(Foto Berenice. Costa da Caparica 26 maio'06)

maio 25, 2006

...também não entendo...



Filhos do deus acaso, eles não sabem
que há outros mundos para além do próprio mundo.
Ignoram as marés, o movimento das estrelas,
o ritmo incessante com que as noites
dão lugar às madrugadas.

Desconhecem que, atrás de cada porta,
por mais fechada, há sempre uma outra porta
escancarando uma janela.
Tão-pouco os orienta o deslumbrante
ciclo das estações, o suceder
das aves no telhado.

Para eles não há qualquer mistério
no renovo das folhas pela Primavera.

E eu não consigo entender
ao que vieram.

Eles - Torquato da Luz

(Foto Berenice)

Quero

















Eu quero um colo, um berço,
Um braço quente em torno do meu pescoço,
Uma voz que cante baixo
Que pareça querer me fazer chorar.
Eu quero um calor no Inverno,
Um extravio morno da minha consciência.
E depois, sem som, um sonho calmo.
Um espaço enorme como a lua rodando entre as estrelas...

Maria Bethânia declama poemas em Imitações da Vida
(foto Berenice)

Cá dentro (parte 2)



Eu agi sempre para dentro,
Eu nunca toquei na vida.
Nunca soube como se amava,
Apenas soube como se sonhava amar.
Se eu gostava de usar anéis de dama nos meus dedos
É que, às vezes, eu queria julgar que as minhas mãos eram de princesa.
Gostava de ver a minha face reflectida
Porque podia sonhar que era a face de outra criatura.

(Maria Bethânia declama poemas em Imitações da Vida)

maio 24, 2006

Pensamento

«Indigestão: é uma criação de Deus para impor uma certa moralidade ao estômago.»

maio 23, 2006

Cábula

No meio das papeladas que preenchem os meus dias, encontrei um magnífico auxiliar de memória que passo a transcrever:

Lembrança do ano que eu me case(i). Foi ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1808. Lembrança do dia que nasceu m.ª f.ª M. foi dia 28 do mês de Janeiro de 1809.
Lembrança do dia que nasceu o meu M. foi dia 28 do mês Janeiro de 1812.
G. nasceu no dia de São Silvestre ano de 1818.
A. nasceu dia 14 de Agosto ano de 1820
M. nasceu dia 1.º de Dezembro do ano 1822
E. nasceu no dia 29 de Agosto do ano de 1827


Este advento foi feito no dia – 6 de Abril de 1829

E depois, na margem do pequeno papel, foi ainda acrescentado:
J. nasceu em dia 16 de Julho ano de 1831
L. nasceu em dia 26 de Janeiro de 1835

O papelinho estava dobrado ao meio, com a lista dos aniversários dobrada para dentro e, do lado exterior, dizia: Idades dos meus filhos. A quantidade de filhos parece-me justificar razoavelmente a elaboração da lista. Mas detenho-me a pensar: terá ele sido impelido a fazê-la após alguns esquecimentos menos pacíficos das datas citadas? Eventualmente. Mas, ainda assim, louvável o seu esforço, não?!

maio 22, 2006

Em bemol ou sustenido?



Pela lufada de ar, pela re-aprendizagem de coisas esquecidas.
Para já, observo. E reparo: a porta está entreaberta.

















(fotos Berenice)

maio 21, 2006

Magnetismos

...

não há passos divergentes
para quem se quer encontrar...

Jorge Palma


(foto Berenice)

maio 19, 2006

Desequil"ébrios"

O bêbedo da terra está, há largos minutos, à porta do meu gabinete de trabalho a trautear uma melodia qualquer. Primeiro, a persistência da cantilena arrastada enerva-me. Depois penso: saberá ele que é invejado?

Canção de Embalar

Dorme meu menino a estrela d’alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti
Outra que eu souber será p'ra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas de embalar



Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d’alva o seu fulgor
Perde a estrela d’alva o seu fulgor

Perde a estrela d’alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer
Deixa-a vir também adormecer

Zeca Afonso

(fotos Berenice - Estremoz '06)

maio 18, 2006

Porque é hoje














Aproveito para divulgar o Ciclo Muitos filmes no Museu Nacional de Etnologia:

18 Maio. viagem à Amazónia – a partir das 14h
BB.487
Os Olhos Grandes dos Caboclos
Jane Moraita - Nossas Festas
A’uwê Uptabi - O Povo Verdadeiro
A Arca dos Zo’é
O Brasil Grande e os Índios Gigantes
Araweté

19 Maio. campos, paisagens, actividades – às 11h e às 15h
A Seda é um Mistério
O Marco da Água
A Cana de Medição de Água / La Canne a Mesurer L’eau
Uma Malha em Tecla
O Pão de Montinho do Cravo

20 Maio. ver a música – a partir das 19h

Grande Noite do Fado
Ora Rindo, Ora Chorando...
Diversidades (filme constituído por pequenas unidades videográficas realizadas no âmbito da exposição Fado, Vozes e Sombras realizada no Museu Nacional de Etnologia entre Julho e Dezembro de 1994)
Adufes: processo de construção
Festa de N.ª Sra.ª das Pazes


Cartaz Museu Nacional de Etnologia

Confiança




O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...

Miguel Torga

(foto Berenice - planalto beirão abril '06)

maio 17, 2006

Matrix

Não fosse eu ter tido algumas reuniões de trabalho com arquitectos e ter-me-ia escapado para todo o sempre a consciência de que há regras também para as portas (!) – sobre para que lado elas devem abrir. F*-se!... até a m* das portas têm regras! Regras, convencionalismos, protocolos, grelhas de leitura pré-definidas (até os chamados "comportamentos desviantes" não se escapam) e mais o raio de m*s que se inventam supostamente para nos simplificar a vida - como se ela, só por si, o permitisse. Mas não, tinham de se acrescentar mais umas coisinhas. E há nisto uma arrogância, produto acabado da pseudo-superioridade da racionalidade do ser humano. Que expluda a m* de realidade codificada porque esta matrix que habitamos só nos definha por dentro. E porque, na verdade, até as portas - tal como nós - estão condenadas a apodrecer. B.

maio 16, 2006

Pièce de résistance

o banho

(quantos mais braços serão necessários para te segurar dentro da banheira, bicho da minha vida???)
(foto Berenice)

maio 15, 2006

Cá dentro






Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


Tabacaria - Álvaro Campos

(fotos Berenice)

maio 14, 2006

Ruas da minha cidade

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Em todas as ruas te encontro - Mário Cesariny
(foto Berenice)

Lisboa ao quadrado









Miradouro da Graça









Miradouro de Santa Luzia

(fotos Berenice)

maio 13, 2006

Asas


...'Cause we all have wings, but some of us don't know why...
inxs

(foto Berenice)

o mundo é grande

















O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Carlos Drummond de Andrade

(foto Berenice)

maio 12, 2006

Fel-da-terra


Nome científico: Centaurium erythraea Rafn.
Outros nomes: Centáurea-menor
Características: Planta muito comum na Serra d'Ossa. Vive durante dois anos, florescendo apenas no segundo.
O seu nome comum faz alusão ao seu azedume.
Usos Medicinais: tónico, aperitivo, estomáquico. O uso prolongado desta planta pode ser nocivo.
Outros usos: do cozimento ou infusão desta planta pode-se tingir os cabelos de ruivo.
(Plantas Medicinais da Serra d'Ossa, ADCM/ Des. Klimt)

«Ervas Daninhas»















Já me ensinaste um dia,
nem me lembro quando,
como surgem no quintal
roseiras que não plantámos
e dão flor as ameixeiras.

Das figueiras disseste que dão fruto
sem que tenham florido,
o que faz, afinal, todo o sentido.

Mas nunca me contaste como nascem
as daninhas ervas que recobrem
os velhos muros e os destroem.

Torquato da Luz

(foto Berenice)

maio 11, 2006

«Brevidade»














Nasci hoje de madrugada
vivi a minha infância esta manhã
e ao meio dia
já transitava pela minha adolescência.
E não é que me assuste
que o tempo passe por mim tão depressa
só me inquieta um pouco pensar
que talvez amanhã
eu seja
demasiado velho
para ser o que deixei pendente

J. Bucay


(fotos / manip. Berenice)

maio 10, 2006

Universo sou eu


Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

Amostra sem valor - António Gedeão


(fotos Berenice)

maio 09, 2006

SAWABONA



Sawabona é um cumprimento usado no sul de África que quer dizer “eu respeito-te, eu valorizo-te, tu és importante para mim”. Em resposta, as pessoas dizem shikoba, que é “então eu existo para ti”.
(foto Berenice)

«Sem querer saber»










...
Despertarei
bem cedo pela manhã.

E voltarei a fazer-me ao mar,
prometo-to…
...

J. Bucay













(fotos Berenice)

maio 07, 2006

Salvação subsidiada

(foto Berenice)

Releituras


«O indivíduo, com os seus limites e medidas, afundava-se aqui no esquecimento de si próprio e, caindo em pleno êxtase dionisíaco, esquecia os preceitos apolíneos. O desmedido revelava-se verdadeiro...»

A Origem da Tragédia - Nietzsche

(foto Berenice)

maio 05, 2006

Metafísica















...

E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
...

Álvaro Campos - Tabacaria
(fotos/manip. Berenice)

maio 04, 2006

Natureza cativa


«Darmo-nos conta que a cultura nos impõe coisas é já um passo em frente no nosso caminho em direcção à desobediência criadora»
J. Bucay

(foto Berenice)